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quarta-feira, 13 de março de 2013

ANTÔNIO CARLOS: HISTÓRIA E CULTURA

“História est testis témporum, lux veritatis, vita memóriae, magistral vitae, núntia vetustatis” (Cícero) – “A História é testemunho dos tempos, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, mensageira da antiguidade”. – esta é uma frase atribuída ao conhecido pensador da Roma Antiga, Cícero.
Instalação do município de Antônio Carlos-SC, em 21 de dezembro de 1963.
Se hoje temos um tempo presente a comemorar, é porque temos também um tempo passado a ser rememorado e celebrado! O presente não existe sem o passado, como tampouco o futuro existe sem a comunhão do passado e do presente.

A História de Antônio Carlos se funde com a história de inúmeros homens e mulheres que, ao longo das décadas, foram escrevendo suas histórias e a história de nossa cidade. A família de João Henrique Soechting, acompanhada de outras, rumou para o vale do Rio do Louro em busca de novas terras e novas oportunidades, uma vez que as condições de sobrevivência não eram consideradas muito favoráveis nas terras da colônia de São Pedro de Alcântara. É neste vale que se inicia a colonização alemã, nas terras que irão compor posteriormente o município de Antônio Carlos. Terras que encantaram não somente estes colonos, mas também viajantes que por lá passaram. Em 1858 o médico e viajante alemão Robert Avé-Lallemant visitou estas paragens e registrou em seu diário: “Descemos para um riacho, o Rio do Louro, onde nos saudaram uma pequena capela e colônias isoladas, e onde geralmente vivem alemães. (...) Aqui no límpido Rio do Louro há muita coisa a ser cultivada e muitas machadadas são ainda necessárias antes que todo o terreno aproveitável seja retirado do estado primitivo”. (AVÉ-LALLEMANT, Robert. Viagens pelas Províncias de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. 1858, p. 137).


COMUNIDADE DO LOURO - Escola ao lado da capela, em 1964 - Prof. João Juvenal de Amorim.
Esta terra ainda em estado primitivo que necessitava de muito trabalho para ser cultivada deu frutos, muitos frutos. O suor de inúmeras famílias fez brotar destas terras uma pujante economia. Durante o século XIX e início do século XX os produtos da economia local a serem comercializados no litoral eram transportados no lombo de animais ou em chatas (canoas) pelo Rio Biguaçu.

Até meados da década de 1970 a economia agrícola do município girava, principalmente, em torno da cana-de-açúcar e da mandioca, com a produção de açúcar, melado, cachaça e farinha. É durante a década de 1970 que tem início o cultivo comercial de hortaliças em Guiomar, Rachadel, Rio Farias e Vila Doze. Atualmente a produção de hortaliças está disseminada em todo o município. Esta realidade fez de Antônio Carlos o maior produtor de hortaliças de Santa Catarina com produção média anual de 150 mil toneladas. A agricultura é, indiscutivelmente, a força da economia do município, pois aproximadamente 80% das famílias antônio-carlenses vivem da produção e comercialização dos hortifrutigranjeiros.

Mas não somente da agricultura vive a economia antônio-carlense. A indústria também é destaque. Se nos idos de 1845 Cândido Machado Severino foi o construtor do primeiro engenho de farinha destas terras, hoje temos, por exemplo, a fábrica de refrigerantes Vonpar, com produtos da multinacional Coca-cola; a agroindústria Ranac com sua inovadora e promissora comercialização de carnes de rã; os aviários que complementam a renda de muitos agricultores e tantas outras destacadas empresas. Todas elas importantes geradoras de empregos diretos e indiretos, como também fonte respeitável de impostos para o município. Aquecendo a economia local temos ainda os parques aquáticos que atraem a cada ano milhares de pessoas que buscam lazer e diversão.

Além das características econômicas e naturais, outro aspecto se destaca em nossa cidade. Se somente em 1924 teremos o primeiro antônio-carlense com grau universitário, o Cônego João Adão Reitz, formado em Teologia pela Gregoriana de Roma, atualmente nossa cidade desponta como um grande destaque na educação, tanto em nível estadual quanto também nacional.

Segundo os últimos dados do Ideb, divulgados pelo MEC, Antônio Carlos está entre as melhores cidades de Santa Catarina na Rede Pública de Ensino Fundamental Regular das séries iniciais, com a média de 7,2 – Ideb 2015 (http://www.qedu.org.br/estado/124-santa-catarina/ideb/ideb-por-municipios).

Isto porque, entre outras questões, a educação sempre foi considerada como aspecto assaz importante na vida de nossos antepassados. Realidade esta herdada desde os tempos das antigas escolas paroquias que eram mantidas pelos próprios colonos que se cotizavam para pagar o professor que ensinaria a seus filhos as primeiras letras.

Esta importância dada à educação faz também com que Antônio Carlos seja, segundo palavras do saudoso professor Lauro Junkes, “o município catarinense de maior representatividade na Academia Catarinense de Letras (...)”. Ainda segundo Lauro Junkes, “se a Academia se compõe de 40 membros, em percentual de população, não há nenhum município que se aproxime da representatividade de Antônio Carlos”.

Isto porque nossa cidade ofereceu, até o momento, quatro imortais para a Academia Catarinense de Letras:

O professor EVALDO PAULI (ocupante da cadeira 21), primeiro antônio-carlense na ACL, com ingresso em 1968. Professor Evaldo foi professor titular de História da Filosofia na UFSC e também professor de Metodologia Científica e História da Educação da UNIVALI. É também membro do IHGSC, da Academia Brasileira de Filosofia e presidente da Academia Catarinense de Filosofia. Possui mais de uma dezena de obras publicadas sobre Filosofia e História de Santa Catarina, parte destas publicadas em esperanto.
Cônego RAULINO REITZ (que ocupou a cadeira 7). Foi diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e um dos fundadores e organizadores da Fundação de Amparo e Pesquisa Tecnológica do Meio Ambiente (FATMA). Como botânico, Pe. Raulino coletou e herborizou 28.769 plantas. Des­cobriu para a ciência cerca de 350 novas espécies e descreveu 6 novos gêneros de plantas. Percorreu mais de 1 milhão de quilômetros em 953 excursões botânicas durante 50 anos. Com seu companheiro de pesquisas, Roberto Miguel Klein, padre Raulino Reitz recebeu o Prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas (ONU), na Cidade do México, em 1990. Homem da ciência preocupado com a humanidade, já na década de 1970 demonstrava uma preocupação ambiental bastante intensa. No discurso de Abertura do 26º Congresso Nacional de Botânica (ocorrido em 26 de janeiro de 1975) afirmou: “Os botânicos não podem se recolher em torres de marfim estudando tecnicamente as plantas e ficar omissos ante a ação indiscriminada contra os pulmões verdes do mundo e de nossa belíssima paisagem”.
Temos ainda o professor LAURO JUNKES (que foi o titular da cadeira 32). Professor Lauro doutorou-se em Teoria da Literatura pela PUC-RS e foi professor titular da UFSC. Foi ainda presidente da Academia Catarinense de Letras - ACL, e também autor de várias obras versando, principalmente, sobre literatura catarinense.
E por fim, JOSÉ ARTULINO BESEN (ocupante da cadeira de número 13). Ordenado presbítero da Arquidiocese de Florianópolis por Dom Afonso Niehues, em 3 de julho de 1976, participou do Projeto Missionário “Igrejas Irmãs” que a Arquidiocese de Florianópolis tem em parceria com a Diocese de Barra, na Bahia. Foi professor de História da Igreja no Instituto Teológico de Santa Catarina – ITESC de 1975 a 2013 e é também Sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina.

Através desta citação mais demorada destes quatro filhos ilustres de Antônio Carlos, homenageamos a todos e a todas que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento da educação e da cultura em nossa cidade.

A soma de fatores como a dedicação ao trabalho, valorização dos estudos e uma fé ardorosa, fazem de Antônio Carlos uma cidade privilegiada para se viver. Temos um dos maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) de Santa Catarina e do país, que por sua vez reflete na excelente qualidade de vida de nossa população. Segundo a última pesquisa divulgada pelo IBGE (PNUD 2000) nosso IDH é de 0,827.

Assim como no século XIX os primeiros colonos foram atraídos para estas terras, ainda hoje, em virtude das qualidades que nossa cidade possui, muitos tem escolhido Antônio Carlos para viver e investir.  Somos todos uma grande família, os que lá nasceram e os que escolheram nossa cidade como seu novo lar, todos irmanados buscando construir uma cidade cada vez melhor! Isto porque nosso passado nos honra, nosso presente nos orgulha e nosso futuro nos desafia constantemente.

Prof. Dr. Altamiro Antônio Kretzer (Historiador)

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